sábado, 31 de maio de 2008

Chip em árvore é nova arma contra desmatamento

Projeto do IWF foi implantado em área da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso.
Informações como nome, altura, diâmetro e localização ficam gravados no dispositivo.

Com o objetivo de combater a exploração ilegal de madeira, o Instituto Web Florestal Planet (IWF) desenvolveu um sistema para que as árvores tenham monitoramento e rastreamento eletrônico.
O IWF, instituto focado em soluções ambientais, testa o programa, em um projeto-piloto, em cem hectares de propriedade da Fundação Educacional Buriti, na região da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso. O IWF tem sede em Brasília e representações na Inglaterra e Hong Kong. Os chips nas árvores possibilitam a gravação de coordenadas e informações como nome, altura, diâmetro, volumetria, serraria de destino, entre outros elementos necessários para o monitoramento e rastreamento.
“Tradicionalmente, o sistema de manejo se dá por meio de plaquinhas de alumínio. Agora, elas começam a ser substituídas por chips, que impedem a manipulação de dados”, diz Paulo Borges, engenheiro florestal da IWF.
Segundo Borges, o projeto de manejo por meio de plaquinhas apresenta fragilidade e com os chips passará a ser auditado. "Com a instalação deles, não será possível alterar dados, pois o chip trará informações específicas de cada árvore, com altura, diâmetro, nome popular, nome científico e localização", diz. De acordo com Roberto Bucar, presidente do IWF no Brasil, o chip permite verificar se as árvores abatidas foram realmente enviadas às indústrias madeireiras que fazem parte do projeto de manejo. Caso a árvore saia da rota de destino final, o sistema notificará que ela foi levada para um destino diferente do previsto. Para garantir segurança e confiabilidade no sistema, todo operador responsável pela coleta de dados deve ser identificado. Cada um terá uma senha (nome, RG e CPF) para fazer as leituras. Segundo Borges, o chip é implantado não somente em árvores comercias, que são aquelas que possuem um diâmetro a partir de 142 centímetros. “As árvores que têm entre 90 e 141 centímetros também são chipadas e observadas para avaliar a capacidade de exploração futura”, afirma o engenheiro florestal.
Ainda de acordo com Borges, 10% das árvores comerciais são deixadas na floresta. Chamadas de porta-sementes, elas permanecem na área porque apresentam capacidade de reprodução e manutenção da espécie. “Implantamos cerca de 1.000 chips nesta área de cem hectares. A intenção é ampliar o projeto para todo o estado de Mato Grosso, que sofre muito com ações de desmatamento. Posteriormente, queremos levar o projeto aos estados que compõem a Amazônia Legal”, diz Borges.



Fonte: G1

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Começa segunda fase da Operação Arco de Fogo na Amazônia

Após interditar madeireiras, serrarias e carvoarias ilegais em Mato Grosso, Pará e Rondônia, operação que reúne Polícia Federal, Ibama, Força Nacional de Segurança e Polícia Rodoviária Federal centralizará ações nas estradas federais e estaduais.

Após interditar madeireiras, serrarias e carvoarias ilegais em Mato Grosso, Pará e Rondônia, operação que reúne Polícia Federal, Ibama, Força Nacional de Segurança e Polícia Rodoviária Federal centralizará ações nas estradas federais e estaduais. Desmatamento de março cai em relação a fevereiro. Terá início nos próximos dias a segunda fase da Operação Arco de Fogo, criada há dois meses pelo governo federal para combater o aumento do ritmo do desmatamento na Amazônia registrado pelos satélites nos últimos meses de 2007. Após concentrar, na primeira fase, suas ações nas carvoarias, serrarias e madeireiras localizadas nos principais pólos de desmatamento em Mato Grosso, Pará e Rondônia, a operação pretende agora intensificar a presença do poder público nas inúmeras e quase nunca fiscalizadas estradas federais e estaduais que cortam a floresta nesses três estados. Com custo estimado em R$ 200 milhões, a Operação Arco de Fogo mobiliza 1.100 agentes da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança, da Polícia Rodoviária Federal e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em sua primeira fase, segundo dados fornecidos pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), a operação aplicou R$ 60 milhões em multas nas cinco bases de ação montadas em Mato Grosso, Pará e Rondônia. Os fiscais envolvidos na operação vistoriaram 166 propriedades, entre empresas e fazendas, aplicaram 338 multas e apreenderam 37,4 mil metros cúbicos de madeira ilegal, o suficiente para encher mil e quinhentos caminhões repletos de toras. De acordo com o MMA, quarenta e dois estabelecimentos tiveram suas atividades paralisadas devido à falta de licenciamento ou por depósito e venda de madeira sem documentos que comprovassem sua origem legal. Os fiscais também apreenderam 1,4 mil metros cúbicos de carvão vegetal ilegal, 26 veículos e 31 motosserras utilizados no corte de árvores, além de destruir mil e seiscentos fornos clandestinos utilizados na produção de carvão vegetal. Tailândia (PA) e Machadinho D’Oeste (RO) foram até agora os municípios mais visados pela Operação Arco de Fogo e, neles, a PF e o Ibama consideram o trabalho concluído. O alvo atual no Pará é a cidade de Paragominas, conhecida terra-de-ninguém onde imperam a violência e a destruição da floresta. Em Rondônia, a operação centraliza suas ações agora no município de Cujubim. No Mato Grosso, outras duas cidades conhecidas por sua participação na cadeia do desmatamento - Sinop e Alta Floresta - também serão alvos das ações do governo. Em Machadinho D’Oeste, localizada a 150 km de Porto Velho, todas as 32 madeireiras que funcionavam na cidade foram autuadas pela Operação Arco de Fogo. Nove madeireiras foram interditadas por abrigar madeira de origem ilegal, e 23 foram identificadas pela fiscalização como sendo empresas-fantasmas. Os fiscais aplicaram em Machadinho D’Oeste 97 Autos de Infração, totalizando multas no valor de R$ 15 milhões, além de apreenderem três mil metros cúbicos de madeira em tora e serrada, o suficiente para encher 130 caminhões. Após tentar neutralizar as madeireiras ilegais nos principais pólos de destruição da Amazônia, a Operação Arco de Fogo pretende agora combater o transporte ilegal de madeira que é comum nas rodovias federais e estaduais dos três estados mais fiscalizados. Para tanto, também serão mobilizados agentes da Polícia Federal, do Ibama, da Força Nacional de Segurança e da Polícia Rodoviária Federal: “A intenção é fechar as estradas para evitar que cargas de madeira estocada ilegalmente saiam das serrarias e voltem a circular, como estava ocorrendo em várias regiões do Pará”, explica o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa. Desmatamento diminui Pela primeira vez em quase seis meses, os satélites do Sistema Deter (Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real) desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram redução no desmatamento da Amazônia. Os dados relativos a março mostram que, durante o mês, foi desmatada uma área de 145,7 quilômetros quadrados, o que representa uma redução de 80% em relação a fevereiro, quando o Inpe registrou 725 quilômetros quadrados de novas áreas desmatadas. Segundo o Deter, ocorreu em março uma diminuição do ritmo de desmatamento em todos os estados da Amazônia Legal, com a exceção do Maranhão, onde a área desmatada registrada pelo Inpe aumentou de 2,1 quilômetros quadrados em fevereiro para 12,2 quilômetros quadrados em março. Nos estados do Acre, Amapá, Amazonas e Rondônia, os satélites não registraram novas áreas de desmatamento em março. Os maiores responsáveis pela destruição da Amazônia continuam concentrados nos estados do Pará e de Mato Grosso. Este último, com 112,4 quilômetros quadrados de novas áreas devastadas, segundo o Inpe, responde por 77% dos desmatamentos registrados pelo Deter em março, em que pese a redução de 82,4% em relação a fevereiro. Apesar de o início do ano ser marcado pela maior incidência de chuvas na região amazônica _ fato que costuma frear o ritmo do desmatamento _ os dois estados apresentam nos três primeiros meses de 2008 a marca de 214 quilômetros quadrados de novas áreas de devastação florestal, contra 77 quilômetros quadrados registrados no mesmo período em 2007. Coordenador da Campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário afirmou, em entrevista à Agência Brasil, que a redução do desmatamento em março registrada pelo Inpe “pode ser um sinal de que a Operação Arco de Fogo está começando a assustar os fazendeiros”. Adário, no entanto, ressaltou a importância de se intensificar o combate à destruição da floresta: “Espero que essa redução persista, porque é fundamental que o desmatamento caia radicalmente no primeiro semestre para que o números de 2007/2008 fiquem abaixo dos do período anterior”, disse.